Mote
Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior.
Glosas
Um porco comendo “bosta,"
Um "bacurim" se coçando,
Menino velho mamando,
Cambista fazendo aposta,
Beata comendo “hósta”.
Cachaceiro, bebedor,
Passarinho cantador
Preso e soltando gemido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior." II
Menino "chei" de remela,
Doido correndo na rua,
Cachorro uivando pra lua,
Negra lavando panela,
Gato miando em viela
Seresteiro sofredor,
Cantando "pru" seu amor,
Sem que ela dê "ouvido",
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
III
Jumento velho "armado",
Correndo atrás da Jumenta,
Um velho coçando a "venta",
Menino novo cagado,
Vem um tangedor de gado,
Metido a conquistador,
Para mostrar seu valor,
Solta um aboio comprido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
IV
Homens jogando sueca
Num balcão “chei” de garrafa,
Velha usando marrafa,
Menino “chei” de meleca,
Velha cozendo cueca
Do Preto "vei" gozador,
Violão sem tocador,
Lá no cantinho escondido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
V
Feijão no Sol pra secar,
Menino chamando o vento,
Outro tangendo o jumento,
Para o Feijão não pegar.
Traz um par de caçuar,
Grita pra outro o feitor,
"Esperaí" meu Senhor,
Diz um garoto metido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
VI
Pilão, Carne e paçoca,
Beiju, canela, angu
Taioba, ovos "muçu",
Farinha de mandioca,
“Ruma de gente”, maloca,
De Meninos "pecador",
Uma velha fazendo amor,
Soltando alto gemido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior." VII
Menino atrás de calango,
Outros atrás de catita,
Homens tomando “birita”,
Com tira-gosto de frango,
Um velho escutando tango,
No Rádio de seu Senhor,
Alguém diz que o cantor
"Teve" um amor perdido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
VIII
Briga de galo sem rinha,
Com apostas sem valor,
Menino, mulher, doutor,
Moça usando sombrinha,
Moleque comprando linha,
Para o "pião rodador”,
Nisso chega um morador,
Correndo "esbaforido",
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
IX
Menino comendo cabrita,
Que berra desesperada,
Uma velha descabelada,
Pensando que é Bonita,
Usando um laço de fita,
Atrás de conquistador,
Lhe diz de lado um Senhor
Se quiser sou seu querido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior."
X
Cantoria de viola
Numa "Bodega" de estrada,
Um menino na entrada
Baforando uma "piola",
Um velho pedindo esmola,
Dizendo ao cantador,
Faça um verso, por favor,
Para um amor proibido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior."
XI
Cachorro velho sardento,
Uma velha desdentada,
Negra de bunda empinada,
Bode, cachorro e jumento;
Velha com pote de unguento,
Roupa velha em “corador”,
Surrão, milho, moedor
Porco de “fucim” comprido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior".
XII
Alfaiate, costureira,
Roupa de chita, e de brim,
Magote de cabra "rim"
Entrançado na peixeira,
Moça velha carpideira
Rezando sem sentir dor
Fazendo o maior clamor,
Mas, sem nada ter sofrido,
"Isso é cágado e cuspido
Paisagem de interior."
Dedé de Dedeca.
O mote é do Poeta Jessier Quirino, as glosas são minhas.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Mote
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.
Glosa
Cacei uma onça pintada
Na serra de caicó,
Debaixo dum mororó
Depois lhe dei uma dentada
A bicha ficou danada
Quando olhou para sangria
Depois comi uma jia,
Meti o pé na carreira
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.
II
Ontem comi um nambu
Com farinha e raspadura
Em rio cheio e pomba dura
Não Se deve andar nu,
Pois o sapo cururu
Pode pensar que é uma jia
E fazer uma "ingrizia"
Bem no pé da ribanceira,
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.
Natal (RN) – Dedé de Dedeca.
O mote é do grande poeta Crispiniano Neto. As glosas são minhas.
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.
Glosa
Cacei uma onça pintada
Na serra de caicó,
Debaixo dum mororó
Depois lhe dei uma dentada
A bicha ficou danada
Quando olhou para sangria
Depois comi uma jia,
Meti o pé na carreira
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.
II
Ontem comi um nambu
Com farinha e raspadura
Em rio cheio e pomba dura
Não Se deve andar nu,
Pois o sapo cururu
Pode pensar que é uma jia
E fazer uma "ingrizia"
Bem no pé da ribanceira,
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.
Natal (RN) – Dedé de Dedeca.
O mote é do grande poeta Crispiniano Neto. As glosas são minhas.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
CACIMBÃO
Mote
O
cacimbão é o remédio
Quando
a seca aparece
Glosa
Se Deus não manda a chuva,
O povo se aperreia,
Nisso a coisa fica feia
O solo não dar mais uva
Aparece a saúva,
O solo logo endurece
A jaçanã emudece
O povo fica no tédio,
O
cacimbão é o remédio
Quando
a seca aparece.
Natal (RN), 20 de novembro de
2015.
Dedé de Dedeca.
CABAÇO
DE COLE.
Mote
Este inocente cabaço
Tinha muita serventia.
Glosa
Água nele se botava,
Açúcar, mel e farinha,
Era mesmo uma jarrinha,
Para roça se levava,
Ele em tudo se usava,
Para tudo ele servia,
Às, vezes alguém dizia
Parece que é de aço,
Este inocente cabaço
Tinha muita serventia.
Natal (RN), 25 de novembro de 2015.
ASSADEIRA
DE CASTANHAS
Esta, muita gente usou,
E às vezes se queimava,
Era quente pra valer,
Quando a castanha assava,
O bom era aproveitar,
O fruto quando torrava.
Umas torravam demais,
Se a gente se descuidava
Não dava nem pra quebrar
E a gente se aperreava,
Aquelas não se vendiam
Já que ninguém as “comprava”.
Natal (RN), 23 de Novembro de 2015.
Dedé de Dedeca.
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