domingo, 16 de fevereiro de 2014

RESERVAS INTERNACIONAIS CUSTAM CARA PARA O BRASIL

Reservas internacionais custam R$ 65 bilhões para o Brasil

9/2/2014 13:48 Por Redação, com ABr - de Brasília


Em média, o governo deixa de ganhar R$ 65 bilhões por ano com a manutenção das reservas
Em média, o governo deixa de ganhar R$ 65 bilhões por ano com a manutenção das reservas
Apontadas como o principal fator que ajuda a segurar o dólar em torno de R$ 2,40, em um cenário em que moedas de países emergentes, como a Turquia e a Argentina, têm despencado nas últimas semanas, as reservas internacionais custam caro para o Brasil. Em média, o governo deixa de ganhar R$ 65 bilhões por ano com a manutenção das reservasem torno de US$ 375 bilhões.
De autoria do economista Reinaldo Gonçalves, professor titular de economia internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a estimativa considera dois fatores. O primeiro é o custo cambial, o que o país deixa de obter ao aplicar os recursos no exterior contra o que os estrangeiros obtêm aplicando no Brasil. O segundo é o custo fiscal, a diferença entre o custo médio da dívida pública brasileira e a remuneração internacional das reservas.
Na verdade, a manutenção das reservas não representa um gasto direto, mas sim o custo de oportunidade, aquilo que o governo deixou de conseguir ao usar os dólares que entraram no país nos últimos dez anos para engordar as reservas. Segundo Gonçalves, o custo cambial está estimado em R$ 16 bilhões por ano. Já o custo fiscal é ainda maior e atinge R$ 49 bilhões por ano.
Como os valores representam uma média de vários anos, Gonçalves adverte que atualmente o custo de manutenção das reservas está ainda maior. “Com o aumento dos juros no Brasil e a disparada do dólar desde meados no ano passado, o retorno dos investidores estrangeiros que aplicam no Brasil ficou ainda maior, o que aumenta ainda mais o custo de oportunidade”, explica o professor da UFRJ.
Desde o início da escalada do dólar, em maio do ano passado, o Banco Central (BC) tem optado por não mexer nas reservas internacionais e segurar o câmbio apenas por meio de operações diárias de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. De agosto a dezembro, o BC vendeu US$ 500 milhões por dia no mercado futuro. As injeções caíram para US$ 200 milhões diários em janeiro.
Apesar do custo elevado de o Banco Central não mexer nas reservas, especialistas consideram essa a melhor opção para segurar o dólar. “As reservas internacionais são como um colchão que protege o país de ataques externos. Como são maiores que a dívida externa [atualmente em torno de US$ 312 bilhões], elas tornam o país credor líquido externo”, diz o professor de economia internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Nassif.
Embora reconheça a importância de as reservas internacionais superarem as contas externas, Gonçalves considera que esse argumento leva em conta apenas uma parte da discussão. Ele ressalta que a dívida externa representa uma pequena porção do passivo externo brasileiro, atualmente em torno de US$ 1,5 trilhão. “A maior fatia do passivo externo corresponde aos investimentos de estrangeiros no mercado financeiro. É capital especulativo que pode fugir do Brasil a qualquer momento”, comenta.
Segundo Gonçalves, o país acumulou reservas internacionais nos últimos dez anos de forma passiva, mais influenciado pelas condições favoráveis da economia internacional antes da crise de 2008 do que por uma política ativa. “A China e o Japão acumularam reservas para ampliar o poder na economia global e se contrapor aos Estados Unidos. O Brasil, até agora, só formou reservas para administrar custos altos”, opina o professor da UFRJ.
Mesmo com o custo de carregamento das reservas internacionais, André Nassif não acredita que o problema esteja no tamanho, mas na composição delas. “Até 2009, as reservas cresciam por causa das exportações, mas passaram a ser sustentadas pela conta de capital, que engloba tanto os investimentos estrangeiros diretos como as aplicações em carteira [capital especulativo] com os rombos crescentes nas contas externas”, pondera. “A Argentina está sofrendo muito mais do que o Brasil justamente porque tem reservas pequenas”, completa.

"HOMOFOBIA? A CUPA Ę SUA QUE Ę VIADO E DÁ PINTA"

"Homofobia? A culpa é sua que é viado e dá pinta"

Publicado por Marcelo Hailer
Homofobia A culpa sua que viado e d pinta
Neste domingo, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma reportagem sobre os recentes ataques homofóbicos na região da rua Augusta (SP), local onde há forte concentração de LGBT. Até aí, tudo bem. Mas a coisa complica com um box que acompanha a reportagem principal e dá dicas de “estratégias de segurança”, com recomendações como “- Andar sempre em grupos: ter amigos por perto pode intimidar agressores; – Evitar lugares abertos. Ir a locais fechados sempre que possível para aumentar a segurança; – Não dar pinta: alguns trejeitos podem atrair criminosos; – Evitar andar de mãos dadas e dar beijos em locais públicos”.
Ou seja, o “guia de segurança” do jornal paulista não passa de um “volte pro armário” disfarçado de “manual das boas intenções”. Quem anda minimamente pela Frei Caneca e região sabe que inúmeros casais andam de mãos dadas, trocam beijos e dão muito pinta. O que é tranquilo e normal. Porém, quando um periódico de grande circulação dá amplo destaque para “evitar andar de mãos dadas”, fica a impressão de um desejo de livrar do espaço público o afeto entre iguais. Por que, ao invés de pedir aos LGBT para dissimularem o que são, a publicação não centrou fogo na questão de segurança pública, educação sobre diversidade sexual nas escolas, políticas públicas? Pior, o jornal joga o ônus da violência homofóbica nas vítimas dos crimes de ódios.
Logo, se você é gay, afeminada a culpa é sua se for vítima de um ataque homofóbico. Em entrevista com a Fórum, a socióloga e pesquisadora de estudos feministas pela PUC, Carla Cristina Garcia, disse que é “absurdo em plena época de recrudescimento do conservadorismo no Brasil um jornal de grande circulação publicar um texto desse”. Segundo Garcia, a lógica da matéria é a mesma para as mulheres vítimas de abuso sexual. “É igualzinho se proteger contra o estupro: não saia sozinha, não saia com pouca roupa. Já com os gays eles têm que ser macho, não podem dar pinta”, critica a socióloga.
Homofobia A culpa sua que viado e d pinta
O filósofo Giorgio Agamben aponta que a modernidade vive sob o “paradigma do campo de concentração”, os espaços são organizados como guetos e destinados a certos tipos e isso não pode ser violado. O espaço público tem orientação sexual, classe e cor, e são destinados a receber tais corpos: sujeitos periféricos não podem ir ao shopping, mulheres não podem frequentar campos de futebol, e as bichas, agora, nem nos guetos podem ficar, devem ficar em locais fechados, escondidas, assim, quem sabe, a homofobia desaparece… E público LGBT também. O espaço público como conhecemos é e sempre foi construído a partir da divisão de gênero (masculino X feminino) e com base em uma única orientação sexual (heterossexual), o resto são expressões demoníacas que perturbam a via pública.
O texto do jornal deixa claro (e agora mais do que nunca) um viés ideológico tipicamente liberal e conservador: sim, você pode ser homossexual, mas não pode parecer como tal. E, ao fim e ao cabo, as dicas da publicação são completamente coerentes com seu histórico do publicação que, sob a premissa da “liberdade de opinião” e de ser um “espaço plural” já publicou inúmeros textos do pastor Silas Malafaia, declaradamente homofóbico. O que está em jogo também é uma disputa de sociedade: de um lado branca, heterossexual e burguesa; do outro, liberta, mestiça e livre das classificações e da sociedade de controle.
“Num momento em que os movimentos sociais do mundo inteiro pedem para as pessoas saírem do armário, vem o jornal Folha de São Paulo e manda todo mundo voltar pro armário?”, indigna-se Garcia. Outro ponto que a professora toca diz respeito ao espaço público e a quem ele de fato pertence. “A rua pertence ao macho”, afirma a professora. Esta lógica é comprovada quando pensamos na maneira como as mulheres são assediadas no espaço público e, agora, constatamos que as bichas afeminadas também não podem estar nele, pois é melhor evitar “locais abertos”, privilegiando os espaços fechados. Esconda-se.
Se você apanhou, a culpa é sua, que é viado e ainda por cima dá pinta na rua. Não pode, tem que ser macho e se adequar ao modelo heteronormativo. Isso não está escrito, mas é o que se lê nas entrelinhas de quando o jornal diz “evite dar pinta” e por favor, seja másculo e não nos envergonhe. Então, o que fazer com as travestis e transexuais? E as meninas que não seguem os padrões normativos de feminilidade? A pobreza conceitual do texto é tamanha que, ao invés de propor e ou provocar um debate sobre os vários tipos de existência corporal e coexistência, pede-se aos sujeitos sexodiversos que desapareçam do espaço público e o deixem limpinho e homogêneo, assim como pensavam os eugenistas do século XIX.
Num momento em que até a novela (produto conservador) da Rede Globo resolveu dar um passo para fora do armário com duas bichas pintosas (Felix e Niko) e com o beijo entre as personagens que obteve uma forte aceitação popular, o jornal resolve dar inúmeros passos pra trás. Obviamente que as “estratégias de segurança” causaram revolta e nas redes uma campanha foi criada. Mas, a pergunta que não quer calar: a serviço do que este texto, que manda bichas não serem afeminadas e não se beijarem nas ruas, foi publicado? A quem serve retirar o público LGBT do espaço público?
Homofobia A culpa sua que viado e d pinta

DEMAGOGOS EM BUSCA DE OTÁRIOS

Demagogos em busca de otários

O Brasil se destaca mundialmente também por algumas políticas públicas erradas. O que vem sendo feito no campo da criminalidade, da violência e da segurança pública constitui um exemplo emblemático disso. Está praticamente tudo errado! Há pelo menos 7 décadas estamos sob o império do chamado populismo punitivo midiático-vingativo, que nunca diminuiu nenhum tipo de crime no nosso país, sendo mais inócuo e estéril que um monge virtuoso. Uma podre, retrógrada e extrativista elite, composta, sobretudo, de parlamentares oportunistas e corruptos (para 81% dos brasileiros os políticos são corruptos ou muito corruptos – Ibope), é a grande responsável pela política da aprovação reiterada de novas leis penais, sempre mais severas, com a promessa de que com elas resolverão o problema da segurança. Pura enganação! Com uma nova lei dizem que vão acabar com a violência nos protestos populares. Sobram leis no Brasil. Falta o cumprimento delas.
Nos países de capitalismo evoluído e distributivo, fundado na educação de qualidade para todos (Dinamarca, Holanda, Finlândia, Coreia do Sul, Japão etc.), é o racionalismo legislativo que combate o irracionalismo midiático e popular. Nos países atrasados, de capitalismo selvagem e extrativista (como o Brasil), é o legislador, como agente político dessa elite atrasada, que, por conveniência eleitoral, atua irracionalmente (emergencialmente, emocionadamente, desproporcionalmente e populistamente).
Essa fórmula charlatã só tem sucesso em democracias de massas, que exigem a atuação de um demagogo (porque a democracia de massas e a demagogia formam um só par, como diz M. Weber, citado por Luís Wanderley Gazoto, no nosso livro conjunto Populismo penal legislativo, no prelo). Nelas os demagogos nos retiram a qualidade de cidadãos pensantes (manda o ignorantismo). Somos meros números e consumidores teleguiados. O demagogo só existe, no entanto, quando alguém acredita nele. Não existe demagogo sem o otário. Os padres demagogos (Krämer e Sprenger) que cristalizaram a histérica caça às bruxas, no século XV, só fizeram sucesso com o Martelo das feiticeiras porque havia otários que acreditavam em bruxas. Hitler só fez sucesso com seu nazismo, trucidando milhões de pessoas, porque muitos otários acreditavam na purificação da raça ariana. É assim que caminha, também por aqui, a marcha da insensatez coletiva.
É hora de abandonarmos a condição de otários (que querem nos impor) e rompermos nossa herança maldita do colonialismo teocrático extrativista, que aqui implantou a cultura do autoritarismo, dos saques, da pilhagem, da roubalheira, do sangue, da violência, do enriquecimento sem causa, do parasitismo escravizador, da ignorância, da malandragem e do segregacionismo étnico, racial e socioeconômico. É hora de nos emanciparmos, como dizia Kant no século XVIII. Ou continuaremos contabilizando “cadáveres antecipados”.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O POVO CANSOU DA FALTA DE PROTEÇÃO

Preto, pobre e com problemas mentais é amarrado a um poste por duas horas

9/2/2014 20:23
Por Redação, com Rachel Paris - de Crato, CE

Quem tentava libertar o homem preso às cordas era agredido por aqueles que o prenderam
Quem tentava libertar o homem preso às cordas era agredido por aqueles que o prenderam
A onda de prender pretos pobres a postes não é exclusividade do Rio de Janeiro. Francisco do Nascimento, 32, sofre de distúrbios mentais e, para contê-lo, em vez de chamar o serviço público de saúde, ‘justiceiros’ de plantão optaram por amarrá-lo a um poste, onde permaneceu por mais de duas horas, para exposição pública. O fato ocorreu num sábado, às 15h, na Rua Bárbara de Alencar, centro comercial do Crato, como mostrou a jornalista Raquel Paris, em seu blog. O motivo do ataque ao cidadão foi um surto, durante o qual teria quebrado alguns vidros de uma loja.
“Francisco do Nascimento, morador do bairro São Miguel possui histórico de outros atentados, como pôr fogo no carro de um vizinho. Ele também possui diversas entradas no Hospital Psiquiátrico Santa Tereza. Segundo a sobrinha, a família não sabe mais o que fazer com Francisco do Nascimento: no hospital não há vagas e ele se torna cada vez mais violento”, relata Paris.
Francisco do Nascimento ficou amarrado a um poste com cordas por mais de duas horas
Francisco do Nascimento ficou amarrado a um poste com cordas por mais de duas horas
E continua: “Durante as duas horas em que ficou amarrado, algumas pessoas tentaram libertá-lo, ato que foi violentamente rechassado pelos dois homens que o prenderam. No mais, a multidão, estonteada, admirava estupidamente o espetáculo do homem que gritava, rugia e pedia por socorro. Diversas autoridades estiveram no local, a exemplo de soldados do Ronda”.
“Mas há um outro histórico que pesa sobre Francisco do Nascimento: nasceu negro e pobre. E pior: necessita de acompanhamento psiquiátrico. Dessa forma, por ser negro, pobre e louco, Francisco Nascimento pôde ser amarrado, exposto a ridicularização pública e violentado em sua dignidade humana , tal qual seus ancestrais. De minha parte, só não podia acreditar que, após tantos séculos, ainda iria presenciar um negro sendo imolado em praça pública“, acrescentou.
Raquel Paris é jornalista “devido a um gosto desusado de ouvir e contar histórias. Mestra em Literatura e Interculturalidade, possui graduação em Comunicação Social. O Cariri a encanta e enlouquece na mesma proporção”.

MANOBRAS EM SÉRIE E BRINCADEIRAS DE SOBRA COM A JUSTIÇA BRASILEIRA.

Manobras em série e brincadeiras de sobra com a Justiça brasileira

9/2/2014 14:13
Por Cristiana Castro - do Rio de Janeiro

No Plenário do Senado Romano, onde leis primordiais foram estabelecidas, manobrava-se à vontade
No Plenário do Senado Romano, onde leis primordiais foram estabelecidas, manobrava-se à vontade
Manobra: s.f. Ato, modo de regular, de dirigir o funcionamento de uma máquina, de um aparelho, de um veículo: manobra de uma locomotiva.
Arte de comandar tropas em campanha: general hábil em manobras.
Exercício militar.
Arte de governar um navio.
Cabo que serve para governar as velas de um navio.
Fig. Meios empregados para chegar a um fim desejado; habilidade, astúcia, artimanha.
Numa sessão do STF, no julgamento de uma Questão de Ordem em uma Ação Penal (AP, aqui não importa qual ), um dos ministros (também não importa qual deles ), disparou: “Estão a brincar com o Poder Judiciário!”. Estranhei tanto a revolta do ministro quanto a indignação de alguns outros já que o ponto que despertava tamanha indignação era nada além do que o pleno e legítimo exercício da advocacia, tratado por boa parte do plenário como “manobra” para atrapalhar o Poder Judiciário. Por alguma razão, não fizeram muita questão de destacar a participação de um juiz na tal “manobra” promovida por réu e advogado para perturbar a sagrada distribuição de justiça, e também não dispensaram qualquer atenção para o fato de o MP ter “deixado passar” a tal manobra, nem quando alertados por um dos pares.
De qualquer forma, o que me espantou mesmo foi a indignação causada por suposta “manobra” de advogados com a intenção de ludibriar a Justiça. Não pareciam ministros que, naquela mesma sessão, após o intervalo, julgariam dois petistas, incluídos em pauta, por uma MANOBRA do presidente da Corte para vingar-se de um deputado e, denunciados por MANOBRA do MP, visando interferir no processe eleitoral à época.
Por outro lado, nem de longe, os indignados lembravam os ministros que junto com o MPF, acusaram os réus da AP 470 e bloquearam as defesas, valendo-se de várias MANOBRAS, uma delas, inclusive, visando interferir nas eleições fazendo com que o a data de julgamento de determinados réus coincidisse com as eleições.
Quando, por várias vezes, alertamos para o fato de que julgamentos nas bases da AP 470 teriam conseqüências para a sociedade como um todo, fomos acusados de quadrilheiros/mensaleiros tentando proteger bandidos. Não demorou muito e um ministro da Corte, acusou cidadãos comuns de lavagem de dinheiro.
Seguindo o exemplo da mais alta Corte, instâncias inferiores do Poder Judiciário, emitem decisões com a clara intenção de sufocar, financeiramente, blogueiros independentes que ousam desafiar o “ Midiciário”: MANOBRA evidente para interditar os debates na sociedade.
Muitos acusam Lula/Dilma de terem sido ingênuos ou negligentes nas indicações para o STF. Aqui, gostaria de lembrar as palavras do advogado Kakay ao então Ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu, quando da indicação de JB ao STF. “Não é assim que as coisas funcionam no DF”. Não há necessidade de desenhos, o advogado foi claro; existem regras e elas não são as suas.
Mas, seguindo com as manobras que tanto revoltaram a maioria dos éticos e probos ministros da Corte. Não podemos dizer que o procurador-geral da República manobrou ao oferecer a denúncia-ficção contra os réus da AP 470; afinal a MPF é livre para produzir sua peça. Mas o fato de denunciar tantas pessoas, sem provas, sem vínculos e em foro inadequado ou revela uma MANOBRA política ou indica que o MPF está a brincar com o Poder Judiciário.
Mas e o STF, incompetente, aceita julgar e condenar pessoas a partir da peça de ficção travestida de denúncia? MANOBRA golpista ou o Poder Judiciário a brincar com a sociedade?
Quando o Plenário do STF aceitou uma denúncia sem provas, assumiu para si a tarefa de acusar os réus e transferiu para os réus a tarefa de provar serem inocentes dos crimes dos quais foram acusados MANOBROU no sentido de alcançar condenações a qualquer custo.
Mas não só isso. Os réus produziram provas que atestavam a inocência. E o que faz a Corte? Desconsidera as provas produzidas pela defesa e o que era absurdo fica bizarro. A mais alta Corte de Justiça, além de transferir o ônus da prova aos acusados, ignora-as, solenemente.
No caso do uso de dinheiro público, um dos pilares da AP 470, restou fácil a comprovação mas a Corte “ precisou” desconsiderar as provas para que a MANOBRA para transformar crime eleitoral prescrito em outros crimes, pudesse surtir efeito.
O outro pilar, a simulação da compra de votos de parlamentares, para que a denúncia pudesse ser oferecida no STF, é bem mais complicada pois não existe a menor possibilidade de se provar compra e venda de consciências, seja lá o que isso signifique ou onde figure como crime no ordenamento jurídico. Mais um pouco e o STF entenderá voto como ato de ofício que prove esse tipo de “crime”.
Pois bem, ao “MANOBRAR” para inviabilizar a defesa técnica, sem perceber ou desejar, o STF, transferiu para milhares de militantes e simpatizantes a defesa dos réus da AP 470. A tarefa de todo e qualquer militante de lutar por sua bandeira e seus companheiros, tornou-se o pior pesadelo para os ministros da Corte.
A partir do “voto do elefante” do Ministro Ricardo Lewandowski, optamos por seguir juntos nas defesa de todos os réus; é claro e natural que o momento das prisões acirram os ânimos e é perfeitamente compreensível que, nesses momentos, em função dos sentimentos de frustração e impotência, acabemos por criticar estratégias de um determinado réu por entender que aquela conduta pode prejudicar um dos outros. Mas, passado o impacto das prisões, devemos voltar a denunciar as arbitrariedades desse julgamento, juntos. Lembrando que não podemos contar com o apoio da OAB e da maior parte da comunidade jurídica que, ao longo de toda essa barbaridade, guardou silêncio cúmplice e covarde.
A única razão para eventuais desentendimentos entre aqueles que defendem os réus da AP 470 reside no fato de sermos obrigados a provar a inocência de nossos companheiros, uma vez que o MPF não logrou comprovar sua culpa e o STF bloqueou as defesas técnicas. Não é tarefa justa e nem fácil, mas já foi bem mais complicado. Daqui sairemos todos melhores e mais fortes militantes.
Não estamos a brincar com o Poder Judiciário. Ao contrário, concordando com o entendimento da maioria do plenário da Corte, estamos dando nossa contribuição no sentido de denunciar “ MANOBRAS” que possam interferir no bom desempenho do Poder Judiciário.
Simulação de uso de dinheiro público na AP 470: MANOBRA para transformar crime eleitoral em outros crimes. Compra de Votos: MANOBRA para atrair réus, sem prerrogativa de foro para instância única e última, ou seja, negar aos réus o duplo grau de jurisdição, bem como fraudar o princípio do juiz natural. Inquérito 2474: MANOBRA para desviar/ocultar provas que pudessem beneficiar os réus ou implicar pessoas não denunciadas. Portanto, MANOBRA também para proteger pessoas e/ou interesses. Considerar todos os recursos como meramente protelatórios: MANOBRA para cercear defesas. Trânsito em julgado parcial: MANOBRA para prender os réus antes do fim do julgamento. Substituição do Juiz da Vara de Execuções Penais (VEP): MANOBRA para manter réus em regime fechado ou para dificultar-lhes acesso a direitos. Decisões com base em notícias de jornal: MANOBRA para impedir transferência de réu para o semi-aberto e negar-lhe o direito a trabalhar. Imposição de multas absurdas: MANOBRA para sufocá-los, financeiramente. Fatiamento de denúncia, julgamento e execução: MANOBRA para simular um julgamento justo e técnico…
Acho que já temos o suficiente para perguntar ao ministro quem, afinal, está a brincar com quem. Assim como a maioria da Corte, não concordamos com MANOBRAS que interfiram na atuação do Poder Judiciário bem como as que visam simular seu bom desempenho.
Cristiana Castro é advogada.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

NEM O MST ESTÁ SATISFEITO COM DILMA

Dilma está alinhada às oligarquias, critica João Pedro Stedile

3/2/2014 12:16 Por Redação - de Porto Alegre

João Pedro Stedile é um dos principais líderes do MST
João Pedro Stedile é um dos principais líderes do MST
Um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile avalia os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff sob a perspectiva da luta do homem no campo pela reforma agrária e contra o agronegócio e, deste ponto de vista, Stedile questiona o fato de a reforma agrária não ter apresentado resultados significativos na atual gestão. Segundo o líder sem-terra, a reforma agrária só não tem avanços porque a presidenta está “alinhada com as oligarquias”.
Em entrevista publicada na edição desta segunda-feira do diário gaúcho Jornal do Comércio, com a assinatura do jornalista Jimmy Azevedo, João Pedro Stedile não poupou críticas aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, ambos do PT. O líder nacional do MST critica a política do atual governo em promover concessões de setores estratégicos. Sobre a política econômica do governo de coalizão, acredita que é necessário realizar mudanças, barrar o superávit primário e destinar os R$ 280 bilhões anuais, hoje pagos em juros aos bancos, para educação, saúde, reforma agrária e transporte público. Reitera que, para que haja essas mudanças estruturais, será necessário primeiro promover uma reforma política para que o poder seja exercido pelo povo, “e não contra ele”.
O MST foi criado em um encontro de camponeses em Cascavel, no Paraná, no dia 22 de janeiro de 1984. Em três décadas de mobilização pela reforma agrária, seus integrantes realizaram mais de 2,5 mil ocupações. O movimento tem 2 mil escolas instaladas em assentamentos.
Leia, agora, os principais trechos da entrevista de João Pedro Stedile.
– Quais são os desafios dos movimentos sociais?
– Primeiro, é não desanimar diante da avalanche do grande capital que está dominando toda agricultura. Ir construindo pequenas e médias agroindústrias na forma cooperativa. Adotar a agroecologia como matriz de produção e priorizar a produção de alimentos sadios. Resistir. Logo aí, as contradições do modelo do agronegócio vão gerar uma crise tremenda, pois ele é predador da natureza, só produz alimentos contaminados pelo alto uso de venenos e vai despovoando o interior, com mais desemprego.
– O senhor disse que o modelo de luta pela reforma agrária deve ser reformulado. Quais seriam as alternativas?
– Durante todo século XX, os movimentos camponeses lutaram por terra e os governos que representavam os interesses da burguesia industrial aplicaram programas de reforma agrária clássica, que eliminava o latifúndio e democratizava a propriedade da terra para desenvolver o mercado interno. Agora, é o capital financeiro e as empresas transnacionais que hegemonizam o capitalismo, e a eles não interessa mercado interno, nem democratizar o acesso a terra. Então, nós, dos movimentos camponeses, precisamos avançar para um programa de reforma agrária popular, que interesse a todo o povo, centrado na distribuição de terras, na produção de alimentos sadios, sem venenos, no uso da agroecologia e na democratização da educação e das agroindústrias.
– Levantamentos revelam que o Brasil importou mais de US$ 2 bilhões em agrotóxicos no ano de 2012. Como o senhor avalia essa situação?
– O governo Dilma é refém do agronegócio e da falácia de que as exportações agrícolas são necessárias. Nenhum país do mundo se desenvolveu vendendo matérias primas. Olha, somos o maior exportador mundial de couro cru e os maiores importadores de tênis da China. Isso é uma vergonha. Somos o maior exportador de minério de ferro, sem pagar nada de imposto, e depois compramos até trilho de trem, ferro elétrico, e ventilador da China. Vendemos soja em grão e depois importamos leite em pó. E esse modelo anacrônico, até do ponto de vista agronômico, transformou a agricultura em refém dos venenos. Somos o maior consumidor mundial de venenos, 20% de todos os venenos do mundo, sem nenhuma necessidade agronômica. Nós estamos aplicando em media 15 litros de venenos por hectare por ano, e consumimos cinco litros por habitante ano. E ele mata a biodiversidade, mata os rios, a água subterrânea, contamina o ar, a chuva, e fica nos alimentos, para depois virar câncer. Esse é o preço que o povo esta pagando pela falácia do agronegócio.
– Por que o senhor diz que o governo Dilma Rousseff tem um desempenho ruim na reforma agrária?
– Porque é um governo de composição, de coalizão de todas as classes, em que o agronegócio tem hegemonia e os setores favoráveis à reforma agrária são minoritários. Somado a isso, há o contexto da agricultura dominada pelo capital financeiro e pelas empresas transnacionais. E é um Estado dominado pela burguesia, que tem controle absoluto do poder Judiciário e do Congresso para se proteger contra qualquer mudança.
– O MST, em particular nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi um dos movimentos sociais que mais realizaram mobilizações. Como está isso hoje?
– Na época do neoliberalismo, dos governos Collor-FHC, os movimentos sociais resistiram no campo e lutaram muito. Até porque o movimento sindical e a classe trabalhadora urbana haviam sido derrotados econômica e ideologicamente. Então, a imprensa burguesa como reprodutora de sua ideologia nos atacava permanentemente para evitar que crescessemos. Hoje, o papel da imprensa burguesa é esconder as lutas sociais ou difundir como sinônimo apenas de “baderna”, para abrir caminho para a repressão judicial e policial.
– Por que o senhor tem dito que os governos Lula e Dilma não fizeram a ruptura com o capital financeiro?
– Primeiro, porque nunca se propuseram a isso, uma ruptura com as oligarquias. Segundo, porque diante de uma correlação de forças adversas para a classe trabalhadora em todo mundo e a hegemonia do capital financeiro, escolheram o caminho de chegar ao governo em aliança com setores da burguesia. E disso se gerou um pacto: “vocês podem governar, fazer políticas de distribuição de renda, mas não podem mexer nas estruturas iníquas do capital e do Estado”. Isto é, formaram um governo de aliança de classes. Todos ganham um pouco, mas o capital financeiro é o que mais ganha. E cabe a ele financiar as campanhas dos deputados, dos governantes, encontros do poder Judiciário…
– Como o senhor analisa as concessões que estão sendo promovidas pela presidente Dilma?
– O governo Lula barrou as privatizações. Já o governo Dilma usa um sofisma: em vez de privatização, concessão. Na minha opinião, uma vergonha. O Estado brasileiro deve manter controle dos setores estratégicos da economia, da energia, dos transportes, das comunicações, para garantir que os interesses do povo estejam acima de qualquer coisa. Com as concessões e privatizações, o lucro das empresas está em primeiro lugar. Por isso, a energia elétrica no Brasil é a mais cara do mundo. Os pedágios, a internet e os celulares são os mais caros do mundo. Isso aqui virou um paraíso para o capital internacional, como diria o saudoso Brizola.
– Na sua opinião, por que o assunto reforma agrária esteve ausente da pauta das manifestações populares ocorridas em junho do ano passado?
– O que tivemos em junho e julho foram mobilizações da juventude urbana pedindo mudanças. E se mobilizou como indignação e protesto. Não por um programa de mudanças. Quem pode se mobilizar com programa de mudanças são os setores organizados da classe trabalhadora, que ainda infelizmente estão meio parados. Porém, as mobilizações da juventude são importantes e necessárias, pois são uma espécie de termômetro da saúde da sociedade. A juventude é a primeira que sente a febre e vai para a rua. Depois virão a classe trabalhadora e os demais setores. É urgente construirmos um programa de mudanças articulado pelos movimentos populares e partidos de esquerda.
– Um dos assuntos mais criticados pelos manifestantes foram os gastos com a Copa do Mundo. Qual é a sua opinião sobre esse tema?
– O governo gastou, através de diversas formas, ao redor de R$ 8 bilhões. A imprensa burguesa, porta-voz da oposição partidária, fez disso uma bandeira para tentar desgastar o governo. Mas, cá entre nós, esse volume representa apenas duas semanas dos juros pagos pelo Tesouro Nacional aos bancos. E ninguém diz nada. Claro que poderiam ser aplicados melhor, em educação e hospital. Nosso inimigo principal não são os estádios e a Copa, que vai passar logo. Nosso inimigo são os bancos, o capital financeiro. E sobre eles a imprensa não diz nada. O próprio (Joseph) Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, defendeu que a única saída para salvar o capitalismo, se se quisesse, seria estatizar os bancos.
– A ideia de se realizar reforma agrária no Brasil, proposta pelo então presidente João Goulart (Jango), foi um fator determinante para o golpe de 1964. No Chile, da mesma forma, com Salvador Allende. Por que esse tema é um tabu?
– Porque a base do poder político em todos os países periféricos e subalternos ainda está no poder econômico da propriedade da terra. Todos os países hoje industrializados fizeram reforma agrária para democratizar a terra e gerar um amplo mercado interno. Mas aqui a burguesia prefere vender pouco e ganhar muito, em vez de vender muito e ganhar mais. Por isso temos uma sociedade, a cada dia, cada vez mais desigual. O Brasil é um dos países de maior desigualdade social do mundo. E um dia isso vai estourar.
– O MST ficou submisso aos governos do PT, como criticam alguns?
– O MST adota como um princípio a autonomia em relação aos governos, Estado, partidos e igrejas. Aplicamos isso durante todos os 30 anos de existência. E fazemos isso também com os governos Lula-Dilma. Nossa prática de movimento social é pressionar e negociar. Pau e prosa. No ano passado, ocupamos os ministérios de Minas e Energia, da Fazenda, da Agricultura, nenhum outro movimento social fez isso, e não consta que o governo federal tenha gostado.
– Como o senhor acompanhou, em 2011, a mobilização de um grupo de mais de 50 integrantes que deixaram o MST por acharem que a direção do movimento estava submissa ao governo?
– Do MST, eram apenas 17, os demais eram de outros movimentos. A crítica do documento deles é ideológica e se referia a todos os movimentos populares e partidos. Infelizmente, não entenderam que em um movimento de massa cabem todas as opiniões. Não me consta que sua saída e seu agrupamento representou algum avanço para a classe trabalhadora ou alguma ameaça aos governos e à burguesia. Faz parte da vida, e todo mundo tem a liberdade de defender suas ideias.
João Pedro Stedile é, nas últimas décadas, a maior liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Um dos fundadores do MST, o ativista brasileiro também integra a Via Campesina. É graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México. Filho de pequenos agricultores da província italiana de Trento, nasceu em 1953 na cidade gaúcha de Lagoa Vermelha. Marxista de formação, Stedile, desde 1979, participa das atividades de luta pela reforma agrária no País. Atuou como membro da Comissão de Produtores de Uva, dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Sul, na região de Bento Gonçalves. Já assessorou a Comissão Pastoral da Terra (CPT), no Rio Grande do Sul e em âmbito nacional, além de ter trabalhado na Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul. Por indicação do então deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), recebeu a medalha Mérito Legislativo, concedida a personalidades brasileiras ou estrangeiras que realizaram ou realizam serviço de relevância para a sociedade.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

NOTA DE REPÚDIO AO PROFESSOR DHIEGO FERNANDES

Esse professor é um analfabeto de marca maior, senão, Vejamos:

"... infelizmente sou obrigado a vim nesse cabaré...".
Ora, deveria ter usado vir, ao invés de vim e, deveria, igualmente, escrever: a esse cabaré, ao invés de nesse. Isso indica que esse professor não tem a menor condição de ensinar porra nenhuma, pois quem vai "nessa cabaré", vai montado, assim, ele vai montado no cabaré, não vai ao cabaré. Volte a frequenter os bancos da escola, pois você (aqui não cabe o Senhor, pois você não merece respeito) ainda não estava preparado para sair da escola primária.