terça-feira, 25 de julho de 2017

GLOSAS

Num pequeno ranchinho a beira chão
uma cena bem simples porem bela
tem a porta mais não tem mais janela
inda restam as cinzas no fogão
no terreiro de trás tem um pilão
desprezada  num canto uma  panela
na parede um chocalho, uma fivela
no telhado uma foice enferrujada
toda casa que fica abandonada
guarda um pouco de quem já morou nela.

                ( Ellyas Poeta )
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MOTE

Toda casa que fica abandonada
Guarda um pouco de quem já morou nela.
  
GLOSA

Numa casa, a parede sem pintura
Uma cangalha jogada pelo chão 
Num pedaço de cerca, um mourão
E na janela um resto de moldura.
Formigas em cima da rapadura,
Um forcado escorado na pinguela
Bem na frente um pé de seriguela
Na entrada uma foice desmontada
Toda casa que fica abandonada,
Guarda um pouco de quem já morou nela.

Natal (RN), 15 de julho de 2017.

DEDÉ DE DEDECA.

Nota.
Mote de Ellyas Poeta, as estrofes são minhas.

QUEM SOU EU E UMA POESIA DE CLÓVIS CARDOSO

Quem sou eu.

Eu Nasci em Marcelino Vieira,
Cidade encravada no meu nordeste,
E, me considero um cabra da peste,
Que faz poesia sem qualquer canseira.
Faço poema, até por brincadeira, 
Não tenho na família cantador,
Entretanto, tem muito glosador
Tenho Avô,  tio, sobrinho e irmão,
Que alegram as noites do sertão 
Com poesias, serestas e muito amor.
2
Sou José Lindomar de Paiva Neto
Dedeca era apelido de meu Pai,
Que pediu-me, meu filho enraizai
Esse apelido,  bonito e correto,
E, assim, o adotei e o fiz certo
E até hoje eu seguro essa peteca
Assinando de modo bem sapeca,
Sem ficar nem um pouco amuado 
E o nome que gosto de ser chamado
E assino como DEDÉ DE DEDECA.

Natal (RN), 18 de julho de 2017.

DEDÉ DE DEDECA.

Fiz para me apresentar ao Grupo "NORDESTE E POESIA", no qual fui aceito hoje.
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Nos contou Dr. Pedro Cardoso (Doquinha, falecido), que seu irmão, Clóvis Cardoso, também falecido e, a quem chamava de Tio Clóvis, estava este na balaustrada perto do 
Hospital Miguel Couto observando a beleza do oceano quando começou a chover em toda orla, quando ele disse eu vi o mar tomando banho, incontinente fez o mote: 

Mote
Em cima do mar chovia,
Vi o mar tomando banho.

Glosa: 

De vez em quando eu ouvia 
O trovão estremecendo
E o tempo escurecendo, 
Em cima do mar chovia. 
Com o olhar não se media 
A chuva tal o tamanho, 
Isto não me é estranho, 
Mas é de rara beleza,
É obra da Natureza,
Vi o mar tomando banho. 

Clóvis Cardoso.





Enviado do meu iPhone

sexta-feira, 28 de abril de 2017

                                  
                                                  ⁠⁠⁠Mote

                                                  Se você não queria se casar,
                                                  Pra que fez eu vender meu bacurim.

                                                  Comprei alianças de missanga,
                                                  Encomendei ceroula e sapato
                                                  Mandei que mamãe engordasse um pato
                                                  E pro jumento comprei uma canga,
                                                  Mandei que podassem o pé de manga,
                                                  Pra lá debaixo nós fazer carim
                                                  Deitados numa colcha de cetim,
                                                  Você chega querendo acabar
                                                  Se você não queria se casar,
                                                  Pra que fez eu vender meu bacurim.

                                                  Natal (RN), 27 de setembro de 2017.

                                                  Dedé de Dedeca.
⁠⁠⁠Mote

Se você não queria se casar,
Pra que fez eu vender meu bacurim.

Fiz casa de taipa, pintei de branco,
Comprei panela  e fiz os "tamborete"
Arrumei tudo com muito macete
E comprei um colchão de linho banco.
Aos pés da cama coloquei tamanco
Ajeitei tudo com muito carim
Você estava prometida a mim
Mas no dia você fugiu do altar
Se você não queria se casar,
Pra que fez eu vender meu bacurim.

Natal (RN), 27 de abril de 2017.

Dedé de Dedeca.

Achei esse Mote de Jô Patriota, no facebook de Marcondes Tavares Poesias, a glosa é minha.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Mote
Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior
.


Glosas 


Um porco comendo “bosta,"
Um "bacurim" se coçando,
Menino velho mamando,
Cambista fazendo aposta,
Beata comendo “hósta”.
Cachaceiro, bebedor,
Passarinho cantador
Preso e soltando gemido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
             II
Menino "chei" de remela,
Doido correndo na rua,
Cachorro uivando pra lua,
Negra lavando panela,
Gato miando em viela
Seresteiro sofredor,
Cantando "pru" seu amor,
Sem que ela dê "ouvido",
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

              III
Jumento velho "armado",
Correndo atrás da Jumenta,
Um velho coçando a "venta",
Menino novo cagado,
Vem um tangedor de gado,
Metido a conquistador,
Para mostrar seu valor,
Solta um aboio comprido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
 

               IV
Homens jogando sueca
Num balcão “chei” de garrafa,
Velha usando marrafa,
Menino “chei” de meleca,
Velha cozendo cueca
Do Preto "vei" gozador,
Violão sem tocador,
Lá no cantinho escondido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

                V
Feijão no Sol pra secar,
Menino chamando o vento,
Outro tangendo o jumento,
Para o Feijão não pegar.
Traz um par de caçuar,
Grita pra outro o feitor,
"Esperaí" meu Senhor,
Diz um garoto metido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

              VI
Pilão, Carne e paçoca,
Beiju, canela, angu
Taioba, ovos "muçu",
Farinha de mandioca,
“Ruma de gente”, maloca,
De Meninos "pecador",
Uma velha fazendo amor,
Soltando alto gemido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
              VII
Menino atrás de calango,
Outros atrás de catita,
Homens tomando “birita”,
Com tira-gosto de frango,
Um velho escutando tango,
No Rádio de seu Senhor,
Alguém diz que o cantor
"Teve" um amor perdido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

            VIII
Briga de galo sem rinha,
Com apostas sem valor,
Menino, mulher, doutor,
Moça usando sombrinha,
Moleque comprando linha,
Para o "pião rodador”,
Nisso chega um morador,
Correndo "esbaforido",
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

               IX
Menino comendo cabrita,
Que berra desesperada,
Uma velha descabelada,
Pensando que é Bonita,
Usando um laço de fita,
Atrás de conquistador,
Lhe diz de lado um Senhor
Se quiser sou seu querido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior."

              X
Cantoria de viola
Numa "Bodega" de estrada,
Um menino na entrada
Baforando uma "piola",
Um velho pedindo esmola,
Dizendo ao cantador,
Faça um verso, por favor,
Para um amor proibido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior."

               XI
Cachorro velho sardento,
Uma velha desdentada,
Negra de bunda empinada,
Bode, cachorro e jumento;
Velha com pote de unguento,
Roupa velha em “corador”,
Surrão, milho, moedor
Porco de “fucim” comprido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior"
.
              XII
Alfaiate, costureira,
Roupa de chita, e de brim,
Magote de cabra "rim"
Entrançado na peixeira,
Moça velha carpideira
Rezando sem sentir dor
Fazendo o maior clamor,
Mas, sem nada ter sofrido,
"Isso é cágado e cuspido
Paisagem de interior."


Dedé de Dedeca.

O mote é do Poeta Jessier Quirino, as glosas são minhas.
Mote 

EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA. 
Glosa

Cacei uma onça pintada
Na serra de caicó,
Debaixo dum mororó
Depois lhe dei uma dentada
A bicha ficou danada
Quando olhou para sangria
Depois comi uma jia,
Meti o pé na carreira
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.

                   II 

Ontem comi um nambu
Com farinha e raspadura
Em rio cheio e pomba dura
Não Se deve andar nu,
Pois o sapo cururu
Pode pensar que é uma jia
E fazer uma "ingrizia"
Bem no pé da ribanceira,
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.


Natal (RN) – Dedé de Dedeca.

O mote é do grande poeta Crispiniano Neto. As glosas são minhas.