sexta-feira, 28 de abril de 2017

                                  
                                                  ⁠⁠⁠Mote

                                                  Se você não queria se casar,
                                                  Pra que fez eu vender meu bacurim.

                                                  Comprei alianças de missanga,
                                                  Encomendei ceroula e sapato
                                                  Mandei que mamãe engordasse um pato
                                                  E pro jumento comprei uma canga,
                                                  Mandei que podassem o pé de manga,
                                                  Pra lá debaixo nós fazer carim
                                                  Deitados numa colcha de cetim,
                                                  Você chega querendo acabar
                                                  Se você não queria se casar,
                                                  Pra que fez eu vender meu bacurim.

                                                  Natal (RN), 27 de setembro de 2017.

                                                  Dedé de Dedeca.
⁠⁠⁠Mote

Se você não queria se casar,
Pra que fez eu vender meu bacurim.

Fiz casa de taipa, pintei de branco,
Comprei panela  e fiz os "tamborete"
Arrumei tudo com muito macete
E comprei um colchão de linho banco.
Aos pés da cama coloquei tamanco
Ajeitei tudo com muito carim
Você estava prometida a mim
Mas no dia você fugiu do altar
Se você não queria se casar,
Pra que fez eu vender meu bacurim.

Natal (RN), 27 de abril de 2017.

Dedé de Dedeca.

Achei esse Mote de Jô Patriota, no facebook de Marcondes Tavares Poesias, a glosa é minha.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Mote
Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior
.


Glosas 


Um porco comendo “bosta,"
Um "bacurim" se coçando,
Menino velho mamando,
Cambista fazendo aposta,
Beata comendo “hósta”.
Cachaceiro, bebedor,
Passarinho cantador
Preso e soltando gemido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
             II
Menino "chei" de remela,
Doido correndo na rua,
Cachorro uivando pra lua,
Negra lavando panela,
Gato miando em viela
Seresteiro sofredor,
Cantando "pru" seu amor,
Sem que ela dê "ouvido",
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

              III
Jumento velho "armado",
Correndo atrás da Jumenta,
Um velho coçando a "venta",
Menino novo cagado,
Vem um tangedor de gado,
Metido a conquistador,
Para mostrar seu valor,
Solta um aboio comprido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
 

               IV
Homens jogando sueca
Num balcão “chei” de garrafa,
Velha usando marrafa,
Menino “chei” de meleca,
Velha cozendo cueca
Do Preto "vei" gozador,
Violão sem tocador,
Lá no cantinho escondido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

                V
Feijão no Sol pra secar,
Menino chamando o vento,
Outro tangendo o jumento,
Para o Feijão não pegar.
Traz um par de caçuar,
Grita pra outro o feitor,
"Esperaí" meu Senhor,
Diz um garoto metido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

              VI
Pilão, Carne e paçoca,
Beiju, canela, angu
Taioba, ovos "muçu",
Farinha de mandioca,
“Ruma de gente”, maloca,
De Meninos "pecador",
Uma velha fazendo amor,
Soltando alto gemido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."
              VII
Menino atrás de calango,
Outros atrás de catita,
Homens tomando “birita”,
Com tira-gosto de frango,
Um velho escutando tango,
No Rádio de seu Senhor,
Alguém diz que o cantor
"Teve" um amor perdido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

            VIII
Briga de galo sem rinha,
Com apostas sem valor,
Menino, mulher, doutor,
Moça usando sombrinha,
Moleque comprando linha,
Para o "pião rodador”,
Nisso chega um morador,
Correndo "esbaforido",
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem do interior."

               IX
Menino comendo cabrita,
Que berra desesperada,
Uma velha descabelada,
Pensando que é Bonita,
Usando um laço de fita,
Atrás de conquistador,
Lhe diz de lado um Senhor
Se quiser sou seu querido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior."

              X
Cantoria de viola
Numa "Bodega" de estrada,
Um menino na entrada
Baforando uma "piola",
Um velho pedindo esmola,
Dizendo ao cantador,
Faça um verso, por favor,
Para um amor proibido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior."

               XI
Cachorro velho sardento,
Uma velha desdentada,
Negra de bunda empinada,
Bode, cachorro e jumento;
Velha com pote de unguento,
Roupa velha em “corador”,
Surrão, milho, moedor
Porco de “fucim” comprido,
"Isso é cagado e cuspido
Paisagem de interior"
.
              XII
Alfaiate, costureira,
Roupa de chita, e de brim,
Magote de cabra "rim"
Entrançado na peixeira,
Moça velha carpideira
Rezando sem sentir dor
Fazendo o maior clamor,
Mas, sem nada ter sofrido,
"Isso é cágado e cuspido
Paisagem de interior."


Dedé de Dedeca.

O mote é do Poeta Jessier Quirino, as glosas são minhas.
Mote 

EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA. 
Glosa

Cacei uma onça pintada
Na serra de caicó,
Debaixo dum mororó
Depois lhe dei uma dentada
A bicha ficou danada
Quando olhou para sangria
Depois comi uma jia,
Meti o pé na carreira
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.

                   II 

Ontem comi um nambu
Com farinha e raspadura
Em rio cheio e pomba dura
Não Se deve andar nu,
Pois o sapo cururu
Pode pensar que é uma jia
E fazer uma "ingrizia"
Bem no pé da ribanceira,
EU NÃO SOU JOSÉ LIMEIRA
MAS FAÇO O QUE ELE FAZIA.


Natal (RN) – Dedé de Dedeca.

O mote é do grande poeta Crispiniano Neto. As glosas são minhas. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015


CACIMBÃO

Mote

O cacimbão é o remédio
Quando a seca aparece

Glosa

Se Deus não manda a chuva,
O povo se aperreia,
Nisso a coisa fica feia
O solo não dar mais uva
Aparece a saúva,
O solo logo endurece
A jaçanã emudece
O povo fica no tédio,
O cacimbão é o remédio
Quando a seca aparece.

Natal (RN), 20 de novembro de 2015.
Dedé de Dedeca.


CABAÇO DE COLE.

Mote
Este inocente cabaço
Tinha muita serventia.

Glosa
Água nele se botava,
Açúcar, mel e farinha,
Era mesmo uma jarrinha,
Para roça se levava,
Ele em tudo se usava,
Para tudo ele servia,
Às, vezes alguém dizia
Parece que é de aço,
Este inocente cabaço
Tinha muita serventia.

Natal (RN), 25 de novembro de 2015.

Dedé de Dedeca.